A saga do crime na Barra dos Coqueiros teve mais um capítulo escrito com sangue, atentando contra a segurança de pessoas inocentes que passavam, trabalhavam e, de certo modo, esperavam por uma noite tranquila, prelúdio de um final de semana de sol, suor e calma em família.
Ouvindo comentários de “jornalistas de plantão” (porque na Barra é assim: tem um dono em cada canto e muita gente que diz saber tudo), no tocante ao crime desorganizado da bela Ilha, parece que pouca gente consegue interpretar a dimensão do tempo, lugar e das consequências advindas de uma cidade que dorme à mercê de galos que cantam, e ainda cantam muito, cantam até as horas do meio dia e lusco fusco. Em tempo, os gansos guardavam o capitólio, a Barra tem tantas rinhas, que os galos cantam para o lutar.
Mas voltemos ao crime da noite do último sábado. Foi roubo, vingança, acerto de contas? Afinal, o que guarda esse crime de tamanha repercussão, citado até mesmo em solenidade pública? (a de inauguração de uma quadra de esporte na segunda-feira, 26, pelo senador Valadares) A vítima? O jovem Assis. Não escutei uma viva alma falar tantinho assim em seu desfavor. Um jovem, dançarino, cortês, trabalhador, chegou à Barra calmo, sereno e tranqüilo. Vejam que o crime não escolhe coração para ferir. Ele cresce com a comunidade. Não é um tumor que pode ser extirpado.
Volto a afirmar: nossos meninos, antes pássaros sem ninho nas Andorinhas (um loteamento do município), Guaxinim, Canas, bairro Baixo, ruas e povoados, são tantos e com nomes de famílias conhecidas e que devem ser respeitadas. Avós, pais, tios, primos e crianças, vidas entrelaçadas pelo crime e descuido de poderes constituídos, votados e empossados à luz da Constituição Federal, que, ao meu ver, tem sido retalhada e retaliada nesta terra de lindos coqueirais onde pais, vislumbraram uma Ilha de sossego e filhos da paz.
Se fosse um crime isolado, um roubo tentado ou um desses delitos que jovens delinquentes cometem no calor da alucinação das drogas, mas a esteira social e criminológica é complexa e tem seu sustentáculo na falta de prevenção, ausência políticas sociais contundentes, comércio de substâncias entorpecentes à luz do sol e da lua, em lugar certo e sabido, comandos e contra-comandos apenados e em liberdade de ir e vir, fato bem mais complicado. A eletroencefalografia do crime na Barra é coisa de deixar penalista sem dormir. Direto ao ponto: quando assassinaram Pimenta, o cavaleiro da morte bradou! Matamos o tubarão e vamos pescar todas as piabinhas! E aí o Júnior foi ao cadafalso, e até hoje nem corpo, nem cadáver ou notícia do além. A guerra continua.
A baixa na família supera a marca simplista de quem acha que na Barra o crime e os criminosos de décadas atrás não continuam vigilantes aos bens, pessoas e aliciamento para formar um pequeno exército armado. Basta conferir a peneira projetada na parede da família quase extinta no domingo pós-crime, que vitimou o tão querido e alegre Assis.
Fechada e esperando a sentença final, também uma avó com 80 anos, mãe, criança de 2 anos, vizinhos, uma rua inteira de pessoas ordeiras e trabalhadoras. Uma ação arquitetada aos fundos, pela linha verde, invasão e um outro pai de família inocentemente atingido. Quatro tiros nas pernas, tudo fuzilado: móveis, eletroeletrônicos, tudo varrido a estampidos de besouro sem asa, assim se dizia nos garimpos do Mato Grosso.
Quem deve a quem? Quem é bandido? Quem fez ou vai fazer? Isso compete aos ‘zome’, como se diz nas altas rodas dos escarnecedores. Cabe à polícia apurar e colocar ordem na casa, melhor, na Barra. Mas e a indagação posta? Por que o grupo armado promoveu a revanche contra a casa de um dos acusados do crime do sábado?
Seria a violência na Barra é um fato isolado, tipificado por ações individualizadas e cíclica, com a presença de delinqüentes, clientes do sistema banalizador da pena? O mapa revela outras facetas. Existe, sim, grupos organizados e armados, que atentam contra a comunidade e a paz social.
Clamo pela vida do jovem Assis, uma vítima como as demais (e olhe que a estatística é sombria). No mundo do crime, vale a máxima: “antes da janta, vem o almoço”. Se a comunidade, as autoridades, entidades, poderes constituídos, políticos, templos e padres, pastores e rabis não juntarem força e fé, em breve teremos extermínio e toque de recolher. Outras coisas, isso temos. E como temos!
Aos escribas versados, que propalam conhecer e ter o antídoto para a cura dos males da cidade menina e morena, banhada pelo rio e o mar, numa simetria perfeita aos emergentes dos condomínios de luxo, vale um alerta: cuidado, muito cuidado! A Barra continua uma barra!
Nenhum comentário:
Postar um comentário