“...Rimas de ventos e velas, vida que vem e que vai, a solidão que fica e entra,
me arremessando contra o cais ...”
Em época de globalização, o que falamos, fazemos e louvamos, de forma célere e etílica, define e revela nossa faceta, bem como a cara e a coragem que temos e o lado do cais onde habitamos. A usina eólica é um investimento chinês, fruto de cooperação firmada entre bancos internacionais. As 20 torres de energia eólica, pujantes e imperiais, já incorporam o panorama local.
Quase tudo pronto: está na net, na TV e chegando de navio. O investimento foi captado, a grana é alta e o Governo realiza obras estruturantes para receber os mega investimentos. Mas, e a Barra? Menina, morena, com frescor de vento virginal – isso até os chineses chegarem. Depois desses ventiladores gigantes, nosso vento corre sério risco de ser tempestade. A dúvida é: como fica a nossa gente simples e competente. Como fica ‘o outro lado da cidade’?
Vou falar: colocaram os carros na frente dos bois. Não tem mão de obra porque ela é especializada. Conversa! Na hora do povo ser beneficiada na panela e no bolso, só sobra vento! Os ventiladores gigantes e recantos luxuosos não beneficiam só por aportar na ilha. Na verdade, o Governo gasta em prol dos grandes, porque antes dos milhões não existiam os tostões. Ou existiam? Nem as rodovias e obras de infraestrutura justificam os investimentos sem a devida promoção social da comunidade.
No tocante aos benefícios imediatos à população, ainda não vi dados e testemunhos verazes que comprovem o prometido. Apenas louvação aos andaimes! Mas, e a construção, a comunidade e suas necessidades, licença ambiental e cumprimento dos policitantes quanto a emprego para todos? Quantos da Ilha foram treinados, capacitados ou preparados para pegar na orelha do elefante chinês ou no tijolo dos magnânimos jardins suspensos da Ilha. Tá bom pro Governador, pros seus amigos, e pra todos os ricos...mas, e o bolso do trabalhador, como anda?
Famílias inteiras repetem o rosário de desemprego há décadas. O traço da união entre o desenvolvimento e o bem social é a promoção local da comunidade, e isso até agora não vi. Nem a Hora da Verdade divulgou os empregos. Não escuto e não vejo a devida proporção acontecendo. A terra já foi ocupada; a natureza, rebentada, milhões se transferem de bancos em bancos, bolsos e bolsas.
E sua família...quantos empregos, quanto o Governo trouxe de benefício ao seu estabelecimento para receber esse tsunami de investimento? Quanto o Banese investiu no pequeno empresário da Barra? Isso, sim, é promoção! Humanizar e promover o comércio local, ou ainda tem inocente achando que esse povo vai gastar, comer e amaciar seus cartões aqui? O que vejo é o social na Barra desconexo com a exploração milionária. O que quero? Coisas simples e pequenas, mas que gerem empregos, educação de qualidade e felicidade ao nosso povo.
Quero uma universidade na Barra, um centro de estudo técnico e profissionalizante, empregos prometidos fluindo, modo contrário, o povo da Barra será mero espectador e cavalgadura de um sistema exportado que gerará energia, beneficiará poucos e cobrará de todos. O que me assusta são paladinos, grupos e verdades que não têm substância em seu arcabouço social.
Não sou contra desenvolvimento! Sou e estou contra o esquecimento do povo que durante séculos cuidou e guardou esse tesouro de mar, dunas, vento e coqueirais. O Instituto Elo estará montando uma estatística do emprego, benefício social, ambiental e prevenção de impactos causadores de malefícios a comunidade. Como se fuma há mais de dez mil anos e só há 100 anos se descobriu que o tabagismo causa câncer, o empreendedorismo, sem sustentabilidade ética como respeito a tudo que vive e existe, a cultura e geografia de uma comunidade podem necrosar peculiaridades características próprias dela.
Não me venham com Plano Diretor bonzinho, com empresários de olhos azuis...(invoco Collor de Melo), com governador que priorizou a Barra... foram os empreendimentos que elegeram a Barra e são eles que empregam. Ou o Governo faz a infraestrutura ou dança. Mas, por que não fez antes? Contra fatos não há argumentos. Não é assim que se diz aqui? Cuidado, muito cuidado! A terra já foi entregue, a grana está na urna. Perdão, gente! Tá na rua. Eita, errei novamente! A grana está no bolso dos tubarões.
O vento não para. Mas e o povo, com que roupa vai? De quem serão os salários milionários? E essa tal mão de obra especializada? O que é isso? O povo da Barra ainda não conhece!!! Lembrei! Os investidores prometeram tudo: empregos aos da terra, defesa do meio ambiente, incorporações sustentáveis e a felicidade do povo. Dizem que o vento vem só do mar! E o dinheiro e emprego dos grandes investidores, correm para o rio?
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